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| Novo tempo, novos negócios |
Onofre Ribeiro
Tenho uma propriedade rural no município de Acorizal, a 49 quilômetros de Cuiabá. A sede do município fica a 65 quilômetros. Sempre lidei com gado e, como todos os pecuaristas, sempre fui lesado nas vendas para os frigoríficos. Na hora da pesagem do gado, no mínimo uma arroba desaparece misteriosamente do corpo do animal, e vai para o bolso do frigorífico. Tem sido uma relação muito desigual onde só um lado perde.
Agora, com a crise financeira mundial que se refletiu como crise econômica no mundo inteiro, os frigoríficos aplicaram o golpe de comprar gado, abaterem e venderem para depois pedirem a chamada recuperação judicial, que é um golpe estudado e legal. Mas os calotes dos frigoríficos sobre os pecuaristas são históricos. Quando eles estão com problemas de caixa, a maioria por má gestão, compram gado no mercado com a intenção estudada de não pagar. Arrumam a sua vida e deixam produtores em crise. É um tipo de empresa familiar ou de origem familiar antiga, com gestão muito duvidosa.
Nesta crise, tenho um amigo de Canarana, o Marcos Rosa, que perdeu uma fortuna para um frigorífico da região que entrou em recuperação judicial. Foi atrás, lutou e fez o que pôde. Perdeu e dificilmente recuperará o seu gado, mas terá que pagar as suas contas de vacina, de sal mineral, de mão-de-obra e ficará sem dinheiro para repor o gado que vendeu e perdeu. Contou-me que foi atrás da direção do frigorífico em São Paulo e constatou que a empresa comprou outros grandes negócios, provavelmente, com o dinheiro que não pagou aos pecuaristas. Não conseguiu falar com a diretoria, e com quem falou foi vítima de desprezo.
Pois bem. Este artigo tem a intenção de mostrar que a sociedade é ágil e sábia. Na semana passada fui procurado por dois amigos de Acorizal procurando gado gordo pra comprar. Contaram-me que nessa crise de confiança entre os pecuaristas e os frigoríficos, eles reativaram um pequeno matadouro que existe na cidade e estava paralisado há bastante tempo. Modernizaram as instalações e estão comprando gado na região e abatendo ali mesmo. A cidade, embora pequena, consome 300 animais por mês. Então, existe um mercado firme que pode crescer bastante.
Como os compradores são de lá mesmo, não existe o risco de darem o cano como os frigoríficos, porque são conhecidos, têm família lá, e precisam sobreviver. Está dando certo e a economia do município ganha com a criação de uma economia local regular e permanente>
São saídas inteligentes de gente simples que acha rumos novos nas crises. Imagino quantos negócios novos como esses não estão surgindo por conta da crise. Muitos modelos antigos e superados como os frigoríficos vão ser substituídos por negócios mais éticos, mais sustentáveis e mais comprometidos com as comunidades locais. Espero que o novo negócio da pecuária e da carne de Acorizal dê certo para a alegria e segurança de todos nós do município.
onofreribeiro@terra.com.br
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| Fonte: Diário de Cuiabá e Revista RDM |
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| O Governo cumpriu as promessas referentes à Reforma Agrária? |
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