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Os frigoríficos de Mato Grosso dependem em média de 30% do mercado exportador. Essa proporção de receitas originadas do mercado internacional é bem expressiva. Em 2009, a perda de faturamento está estimada em 16% quando comparada com igual período de 2008. Indícios apontam que empresários do setor de frigoríficos calcularam um horizonte de crescimento promissor, conjectura essa, que não está se confirmando, pelo menos até agora. Os empresários apostaram na pujança das exportações e na estabilidade de demanda interna. Essa expectativa expansionista teria influenciado substanciais investimentos.
O motivo para realizar tais alocações é relativamente fácil de entender. Quando as vendas são boas, a tendência dos agentes econômicos é acreditar que o futuro tende a repetir o passado. Entretanto, parece óbvio, que a opção em não investir, poderia ter poupado alguns recursos para estes tempos difíceis. Ao invés dos frigoríficos estarem presos a elevados passivos – quem sabe até para manter equipamentos ociosos - poderiam ter algum capital de giro, o suficiente para pagar os pecuaristas e evitar que parte do gado mato-grossense fosse vendido para frigoríficos localizados em outros estados. Alguém pode até perguntar para onde foi toda a receita auferida nos tempos de “vacas gordas”. Isso chama a atenção para a lógica financeira que impulsiona o setor. Seria interessante saber como a receita dos “bons tempos” foi apropriada entre frigoríficos, pecuaristas, bancos e outros intermediários. A impressão que se tem é que o dinheiro gerado pela atividade está sendo esterilizado, em parte, por custos financeiros originados de investimentos superdimensionados. Esta questão, a lógica de financiamento, ou seja, de onde vêm os recursos, seus custos de captação e a que eles se destinam – não estão equacionados pra manter uma importante atividade econômica. Aliás, a crise que desafia os empresários do setor, fica menos fácil de ser explicada, já que a carne é um produto de demanda relativamente estável na cesta de consumo familiar. Em MT, já há estudo evidenciando que somos o primeiro em consumo per capita para determinados cortes.
A questão de investimentos acima dos níveis históricos de demanda por carne é um dado que merece maior aprofudamento. Há de se ponderar, contudo, que o não-investimento, assim como investimento mal planejado, comportam-se também como notórias armadilhas. Se uma empresa imobiliza grande quantidade de recursos, provavelmente dependerá de capital de terceiros e estará sujeita, em regra, aos ditames do capital bancário. Falamos do ônus que o setor financeiro impõe ao setor produtivo, de outro modo, do peso (quase) morto das intermediações bancárias. Por outro lado, se o empresário não investe, pode ser deslocado de sua posição no mercado, ou até mesmo ser banido pelo concorrente. A questão fundamental quanto aos investimentos consiste, entre outras escolhas, em dimensionar seu volume e o ciclo temporal em que ele deve ser feito. Por que, a despeito da crise, os pecuaristas mato-grossenses estão buscando novas rotas comerciais? Passemos a palavras aos analistas do setor?
* PAULO CÉZAR DE SOUZA é gestor governamental e mestre em Economia pela UFMT
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| Fonte: Jornal Diário de Cuiabá |
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| O Governo cumpriu as promessas referentes à Reforma Agrária? |
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