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| Procura-se gado para abate. Paga-se bem! |
Os pastos brasileiros estão mais vazios do que nunca. Não há mais gado para abater. Em 2009, com muita sorte vamos repetir o desempenho do ano passado e produzir em torno de 9 milhões de toneladas de carne bovina, com o abate de cerca de 40 milhões de cabeças.
Uma série de indicadores comprova que quem acreditou nas estatísticas do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento e o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística pode não ter feito os melhores investimentos do mundo. Rebanho de 200 milhões de cabeças? Nem por decreto.
Bem mais próximo da verdade estão as consultorias, com Agra FNP à frente, que sempre apostaram em rebanho de no máximo 170 milhões de cabeças. Elas fizeram a lição de casa e analisaram os altos e baixos do mercado, ao invés de supor um crescimento normal do volume de gado, fortalecendo a tese de que são inesgotáveis as nossas potencialidades produtivas.
Dois dados ajudam a explicar e a comprovar que a pecuária brasileira perdeu muito mais do que se supunha entre 2004 e 2007, período em que a arroba do boi gordo girou em torno de US$ 20, desestimulando produtores apaixonados e levando-os a arrendar suas propriedades para a cana-de-açúcar.
A pecuária é uma atividade produtiva extremamente jovem, com no máximo meio século de história. E nesse período nunca se viu tanto abate de fêmeas como nos últimos anos. A média histórica que sempre oscilou entre 30% e 35% saltou para 45%, comprovando uma clara queima de patrimônio dos criadores.
Poucas vezes também se viu uma relação de preços tão apertada entre o bezerro e o boi gordo. Hoje, são necessários apenas dois animais de sete meses de idade para comprar um boi pronto de dois anos, sinal de que a matéria-prima (bezerro) está escassa e, obviamente, muito valorizada.
A realidade é nua, crua e incontestável. Os frigoríficos trabalham com ociosidade elevadíssima. Alguns podem negar, mas não abatem mais do que 35% de sua capacidade. Na média, os mais competentes trabalham com 50% de suas possibilidades e a curto prazo essa situação dificilmente mudará.
Aliás, um parêntese: não consigo tirar uma dúvida da cabeça e talvez alguém possa me ajudar a entender. O que leva o BNDES a comprar participação a peso de ouro nos frigoríficos neste momento? Será que não tem pelo menos um especialista lá para se informar antes sobre a realidade do mercado e avaliar melhor um investimento desse porte?
Voltando ao mercado, o certo é que a arroba do boi gordo atingiu patamar de preços bastante atrativo para o produtor. No auge do dólar caro, a cotação manteve-se acima de US$ 30 a arroba. Atualmente, supera a barreira dos US$ 40.
Ora, reconhecemos a força e a competência dos frigoríficos que são poucos em administrar seus custos, inclusive os valores da arroba do boi gordo. Num cenário de instabilidade global como o atual, seria lógico imaginar que a indústria pressionaria (e muito) os fornecedores (pecuaristas). Mas não é o que está acontecendo, pois os preços estão firmes e projetam alta para os próximos meses. Tudo isso porque, definitivamente, não tem boi sobrando nos pastos.
Esse cenário não significa que não há luz no fim do túnel. A reposição do rebanho já começou em 2008, avança este ano e certamente continuará em 2010. A safra de venda de touros está para começar. Há expectativa de boa demanda por reprodutores. Afinal, por conta da perda de rentabilidade nas fazendas nos últimos anos, os criadores seguraram os machos mais do que o necessário, o que prejudica a produção de bezerros. Agora é o momento certo de repor o plantel de touros.
Ian David Hill é diretor da Agropecuária Jacarezinho
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| O Governo cumpriu as promessas referentes à Reforma Agrária? |
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