Quinta-feira, 9/9/2010
 
 
 
 
O desafio de unir produção e conservação.
15/6/209 :: 00:00
O tema sustentabilidade se torna cada vez mais importante para a cadeia da carne brasileira. Com o aumento das exportações, O Brasil se tornou foco das atenções, muitas vezes atacado por países concorrentes. A maior velocidade da informação e intensa atuação de entidades (como ONGs ambientalistas) aumentam a cada dia a presença na mídia (e na cabeça dos consumidores) dos impactos, dos problemas e da importância da questão ambiental.

Não há como negar que, hoje, esse tema é chave. A grande questão é: como a cadeia da carne vai melhorar sua sustentabilidade, baseada em três pilares: econômico, social e ambiental? Ou seja, como vamos tornar a pecuária ambientalmente mais correta ao mesmo tempo em que precisamos aumentar a rentabilidade do setor? Além disso: como vamos comunicar ao mercado, ao mundo, aos consumidores, os avanços, vantagens e qualidades da pecuária brasileira?

A pecuária de corte é de extrema importância para a economia brasileira. São mais de 1,8 milhões de estabelecimentos rurais, mais de 6,8 milhões de empregos diretos. Com grande capilaridade e pequena dependência de infra estrutura, é uma atividade pioneira no desenvolvimento regional e que interioriza a riqueza. É também uma reserva de valor e um minimizador de riscos para o fazendeiro que também é agricultor. No interior do Brasil, onde há um pólo de desenvolvimento agropecuário, o índice de desenvolvimento humano (IDH) é maior. O IDH leva em conta educação, longevidade e renda.

Na questão ambiental, poucos sabem que o Brasil é muito mais exigente do que a grande maioria dos países do mundo. Nos Estados Unidos (EUA), em uma fazenda privada, o proprietário tem total autonomia sobre como maneja suas áreas florestais. Na Nova Zelândia, não há legislação requerendo áreas de Preservação Permanente (APPs) na beira de rios, e o bom manejo dos pastos garante preservação e evita o assoreamento. Ao se comparar o percentual de florestas preservadas, o Brasil é líder mundial, com uma diferença gritante para outras regiões, como a Europa, por exemplo.

Além de tudo isso, o Brasil tem fundamental papel na segurança alimentar do mundo. Sem a evolução do agronegócio brasileiro, que deve aumentar sua produção de alimentos nos próximos anos, o mundo terá um grande problema em alimentar uma população crescente em que como cada vez melhor. Nos próximos anos, a demanda por carne bovina tende a aumentar.

Pastagens degradadas

Há no Brasil cerca de 60 milhões de há ou menos. Isso significa um rebanho de apenas 20 milhões de cabeças. As pastagens degradadas são um enorme passivo para pecuária de corte, na questão ambiental e também econômica. A mitigação de problemas ambientais, ao mesmo tempo em que se aumenta a produção de carne, para pela recuperação de áreas degradadas.

Outro problema importante a ser resolvido são os índices de produtividade do Incra, medidos por lotação. Essa medida deveria ser por produção por hectare por ano. É possível produzir mais com menor lotação. Infelizmente, na maioria dos casos, em pastagens degradadas, a lotação é maior do que a ótima para produtividade.

Econômico e ambiental

As questões ambiental e produtiva estão cada vez mais alinhadas. E por incrível que pareça, de forma cada vez mais positiva. O grande salto positivo desta união são as boas praticas de produção, ou o uso inteligente dos recursos através da adoção de tecnologia. O primeiro passo é usar as de baixo custo, ou seja, tecnologias que não requerem grandes investimentos. E o ponto principal é investir em conhecimento aplicável, fazendo com que ele se traduza em mudanças na forma de produzir carne bovina no Brasil.

A dificuldade é fazer com que o conhecimento disponível hoje sobre boas práticas de produção seja adotado em grande escala. Essas tecnologias de baixo custo ou baixo insumo são: manejo de pasto, bem-estar animal, uso de produtos na alimentação animal, uso de subprodutos na alimentação animal, seleção do rebanho, controle sanitário, suplementação mineral, entre outros. No Brasil há uma grande área dedicada produção pecuária que é subutilizada. O primeiro passo é aplicar conhecimento nessas áreas, melhorando enormemente a produção, apenas utilizando de forma racional e inteligente os recursos. A questão-chave deixara de ser quantidade ou área e passará a ser produtividade (por área e por cabeça). É importante destacar que grande parte desse conhecimento já existe, só precisa ser melhor aplicado.

É possível?

O que me anima nessa questão é a possibilidade, o potencial de se transformar a pecuária de corte. Não será fácil, em especial devido á tradicional pouca rapidez da atividade em mudar. Por outro lado, a informação e o conhecimento fluem cada vez mais rápido e é incrível como encontramos a cada dia que passa mais pessoas buscando a mudança. Essa é a diferença: cada vez mais gente querendo mudar e cada vez menos gente não querendo mudar.

Esse artigo é reflexão pessoal, a partir dos dados apresentados por Luiz Gustavo Barioni (Embrapa), Geraldo Martha Jr. (Embrapa) e Adilson Aguiar (Fazu), e debatidos por cerca de 50 técnicos e pesquisadores no fórum Sustentabilidade em Pecuária e Pasto, patrocinado pela Dow Agrosciences, em São Paulo SP
Fonte: AG Revista do Criador
 
 
 
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