Quinta-feira, 9/9/2010
 
 
 
 
Como controlar a anemia infecciosa eqüina
A anemia infecciosa eqüina (AIE), doença também conhecida como “febre dos pântanos”, é produzida por um vírus. É mais freqüente em terrenos baixos e mal drenados ou em zonas úmidas muito florestadas. Apresenta-se em várias formas clínicas, todas com importância econômica, e é disseminada em todo o mundo.

Ainda não é bem conhecido qualquer tratamento eficaz contra a doença, que, no entanto, pode ser controlada e até erradicada com medidas de prevenção. A informação foi transmitida pelo pesquisador Roberto Aguilar M. S. Silva, da Embrapa Pantanal, a criadores da Bolívia, no 1º Curso Internacional sobre a doença, realizado em outubro do ano passado em Corumbá (MS).

A Embrapa Pantanal (unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa) e o organizador do mencionado curso, o CIAT (Centro de Investigación Agrícola Tropical) devem firmar um convênio de cooperação técnica para implantar naquele país um programa de controle da AIE.

Aguilar, que trabalha há 20 anos na Embrapa Pantanal e 18 com AIE, fez um grande estudo sobre a doença em 28 fazendas do pantanal, avaliando 3 mil animais. A pesquisa foi desenvolvida entre 1990 e 1995.

Ele disse aos criadores e técnicos participantes do curso que o vírus da anemia infecciosa eqüina é bastante semelhante à Aids. A doença afeta as defesas do organismo do cavalo. “As células de defesa param de proteger e viram uma fábrica de vírus”, explicou.

O vírus pode ser transmitido por vetores (mutucas) e, segundo estudo do Dr. Antonio Thadeu M. de Barros, também da Embrapa Pantanal, a área de risco é de até 50 metros. Ou seja, se um animal sadio ficar a mais de 50 metros de um animal infectado, o risco de transmissão por mutucas não existe. Por segurança, a Embrapa Pantanal recomenda um distanciamento de 200 metros.

A doença também pode ser transmitida por uso de agulhas comuns em mais de um animal e uso de arreios que causem feridas nos cavalos e sejam reutilizados em outros.

Os sintomas são edemas – a barriga do cavalo fica inchada – e aparecem pequenas hemorragias na boca e grandes hemorragias internas. O estresse e o uso de anti-inflamatórios podem agravar os sintomas.

Aguilar disse ainda que os burros são assintomáticos, podendo ser portadores do vírus, sem desenvolver a doença.

O pesquisador da Embrapa Pantanal disse que é possível controlar a doença em três anos, sendo fundamental a realização de testes em laboratórios para confirmar a AIE, porque os sintomas são parecidos com os de outras enfermidades.

Ao explicar porque ocorrem exames falso positivo e falso negativos, Aguilar mostrou que é possível se obter potros sadios de éguas portadoras.
Ele propôs que o programa de controle a ser implantado pelo CIAT em Bolívia crie selos de ouro, prata e bronze para identificar os produtores que fizeram o controle total da propriedade, aqueles que separarem os animais sadios dos infectados e aqueles que iniciarem o controle, respectivamente.


 
 
 
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