|
 |
 |
 |
 |
 |
|
|
| |
| Farinha de ossos é opção perigosa |
Por: Marcos Sampaio Baruselli
A crise do fosfato bicálcico, que repercutiu negativamente nos preços do suplemento mineral neste início de ano, tem levado muitos produtores a pensar em fontes alternativas de fósforo, visando baratear o produto. Uma das alternativas mais citadas é a farinha de ossos calcinada, produzida por graxarias de frigoríficos ou por empresas independentes, que vivem da coleta de ossadas bovinas em açougues. Esse tipo de matéria-prima, contudo, deixou de ser empregada corriqueiramente nos suplementos minerais, devido à maior profissionalização da pecuária no País e à conscientização do produtor quanto à possibilidade de presença de resíduos orgânicos de origem animal em sua composição, nas situações em que o produto seja elaborado de forma incorreta por imperícia ou por falta de tecnologia, o que pode acarretar problemas sanitários graves.
A falta de padronização das farinhas de ossos, a ausência ou baixo controle de qualidade em seu processo de fabricação e a falta de registro de muitas fábricas junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), principalmente no interior do Brasil, também são fatores que limitam a utilização do produto. É importante frisar que existem duas classes de farinha de ossos: a calcinada e a autoclavada. A primeira é obtida a partir de ossos moídos e calcinados; já a segunda provém de ossos não decompostos e submetidos a tratamento térmico em autoclaves, seguido de secagem e moagem. Os níveis de garantia da farinha de ossos calcinada oriunda de subprodutos do abate bovino – conforme o Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal 2004 – são de no máximo 98% de matéria mineral, no mínimo 15% de fósforo e relação cálcio-fósforo de no máximo 2,15:1.
Autoclave proibida
O Mapa proibiu o uso da farinha autoclavada na alimentação de bovinos, pois análises químicas realizadas nesse tipo de produto constantemente detectam restos de carne, gordura e tecidos nervosos, que são material de risco para transmissão de encefalopatias como o “mal da vaca louca” (encefalopatia espongiforme bovina ou BSE). Já na farinha calcinada, os riscos estão diretamente relacionados ao seu processamento, com destaque para variáveis como tempo de calcinação e temperaturas insuficientes à completa eliminação de matéria orgânica. Por outro lado, a calcinação excessiva dos ossos reduz o valor biológico do fósforo e também os efeitos positivos da suplementação deste mineral.
Concluindo: os riscos e limitações do uso das farinhas de ossos como fonte de fósforo para bovinos (tanto no caso da autoclavada, que foi proibida pelo mapa, quanto da calcinada) estão fundamentados basicamente em problemas sanitários, de processamento e de armazenamento. A produção de suplementos minerais de qualidade no Brasil deve primar pelo uso de matérias-primas de alta qualidade, que, além de ser certificadas e registradas pelo Ministério da Agricultura, também devem passar por rigoroso controle de qualidade nas indústrias de rações e suplementos minerais antes de serem comercializadas e transportadas para as fazendas. Esse controle é que garantirá a segurança dos suplementos minerais e a obtenção de bons resultados no campo.
Marcos Sampaio Baruselli é presidente da Asbran (Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais)
|
|
|
 |
 |
 |
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
| O Governo cumpriu as promessas referentes à Reforma Agrária? |
|
 |
 |
 |
|
|