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Simples alterações trazem avanços para a rotina de manejos. Antes de iniciar a reforma é preciso uma criteriosa análise de custo.
O manejo de curral fica mais fácil quando se tem uma instalação adequada. Muitas vezes, bastam algumas alterações para se melhorar a movimentação dos animais. Em São Domingos, GO, o pecuarista Bruno Pereira, da fazenda Olho d’água, sentia o peso do trabalho em um curral de 10 anos. Construído em formato tradicional – seringa triangular, tronco coletivo e embarcadouro em linha -, o manejo “era travado”. Sem condições econômicas de construir uma nova estrutura, ele optou por fazer uma avaliação técnica das instalações e adaptar os pontos críticos. “Para um novo curral, eu gastaria mais de R$ 100.000,00. Investi menos da metade, com algumas mudanças e na compra de tronco e balança eletrônica”, comenta o pecuarista”. Ele mexeu na seringa, tronco de contenção e embarcador.
Mesmo sendo uma reforma, Pereira enfatiza que o trabalho não se completa em um final de semana. “Os palanques de curral são concretados a fundo no piso; desmontar não é uma tarefa fácil”, lembra. Estrategicamente, ele começou as obras em agosto para poder contar com a instalação pronta no início da temporada de vacinação e inseminação, a partir de novembro. Passados os manejos de final de ano, com 5.000 animais, o pecuarista evidencia o benefício trazido pelo investimento. Se antes demorava quatro horas para pesar um lote, hoje faz o mesmo trabalho em uma hora e meia. “Não há como mensurar os benefícios pontuais, mas na prática sentimos a agilidade e melhor fluidez dos animais”, avalia.
O que fazer?
O veterinário Leonardo Patta Floriano, responsável técnico da Oxen Currais, de Goiânia, GO – que fez o trabalho na Olho d’água -, comenta que é importante, para quem quer iniciar uma reforma no curral, fazer uma avaliação criteriosa da instalação, colocando o custo de cada quesito no papel. “Há currais que não justificam o trabalho; compensa um novo projeto”, considera. A decisão também varia de acordo com os objetivos do pecuarista. Se for um local de arrendamento, a intenção de gastos será menor. Por outro lado, um projeto em expansão permite maior investimento. O consultor em bem-estar animal, Renato dos Santos, de Paranavavaí, PR, diz que “não há fórmula pronta. As decisões variam de acordo com a estrutura e os manejos que serão feitos”, explica.
Para iniciar a avaliação, Floriano, da Oxen, sugere que se faça um levantamento das atividades exercidas no curral. Quais tarefas serão realizadas e sua descrição; quantidade de funcionários envolvidos; horas trabalhadas e categoria de animais manejados. Além disso, lembra que o curral deve ser avaliado in loco, tendo em mente o comportamento dos bovinos. Todos os detalhes são importantes, desde o posicionamento de tronco de contenção e do embarcadouro até a avaliação de tábuas soltas. A junção dessas informações permite que o produtor entenda onde há dificuldade e quais pontos podem ser adaptados.
Alternativa simples, que não exige muito investimento, é o fechamento das paredes laterais para evitar distração. Desde a seringa, brete, tronco de contenção até o embarcador. Como o material não tem função de sustentação, deve-se aproveitar o que existe na propriedade. Pode ser tábua, ripas ou madeirite. Já se viu até bambu e carpete velho pregado nas instalações. A colocação deve ser bem-feita, evitando pregos e tábuas salientes. E, a pintura favorece a uniformidade. Outra alteração de baixo custo é “quebrar os cantos” em todo o mangueiro. Santos comenta que o produtor pode fechá-los como se fosse isolar um pequeno triângulo. As porteiras entre as remangas podem ser reposicionadas e retiradas do centro.
Adequações na seringa – local de entrada dos animais no brete – demandam maior investimento. O ideal é que se adapte um corredor arredondado no local do tradicional funil. Na execução, ter atenção aos ângulos e medidas. Ao redor, pelo lado de fora, deve-se projetar uma passarela. Diferentemente da versão anterior, o peão não precisa ficar dentro da seringa para mandar os animais para o brete. Ele os conduz de cima da passarela, o que lhe garante maior segurança. Quem não quiser fazer grandes mudanças, sentirá diferença se ao menos reduzir os cantos internos na seringa. O tronco coletivo ou brete deve ter o comprimento reduzido para a capacidade de dois a quatro animais. “Seu objetivo é que seja um reservatório para a contenção”, diz Floriano, da Oxen. Santos sugere que priorize laterais paralelas ao invés da forma em “V”.
Para aqueles que aderiram à balança eletrônica, pode-se aproveitar o espaço da antiga balança mecânica para construir um apartador, comenta Floriano. A área e o perfil da atividade determinam o número necessário e possível de porteiras de aparte. Outra modificação que facilita a abertura de novas remangas é a retirada do embarcador do final da linha do tronco e sua colocação em anexo ao curral, próximo a seringa, por exemplo. Há vantagens indiretas: o embarcador na linha do tronco sugere que o animal seja mandado ao caminho sozinho, explica o consultor do Paraná. “Se o embarcador for deslocado para outro ponto, obriga que se forme um lote com o número exato de cabeças que serão transportadas e a condução é realizada em grupo”, complementa. Além disso, os animais não precisam passar por toda a estrutura antes do carregamento.
O embarcador deve ter inclinação adequada aos caminhões que servem a propriedade. A altura indicada é de 1,20m, com o lance final em nível. Há quem prefira uma estrutura móvel, presa com cabos de aço, que se ajusta à altura dos caminhões. Como na seringa, pode-se fazer um corredor em curva com apoio de uma passarela. O técnico da Oxen recomenda que se coloque um portão de correr no final da rampa. Ele “substitui” as porteiradas do caminhão no lombo do animal. Para evitar escorregões, pode-se investir em piso antiderrapante.
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| O Governo cumpriu as promessas referentes à Reforma Agrária? |
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