Quinta-feira, 9/9/2010
 
 
 
 
Cobre diminui o colesterol da carne bovina
O aumento dos níveis de cobre ou selênio na suplementação de bovinos mantidos em confinamento diminui a quantidade de colesterol na carne bovina, mais especificamente no contra-filé (Longissimus dorsi). É o que indica um estudo realizado pelo zootecnista Gustavo Del Claro, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP-Pirassununga, SP. O melhor resultado foi obtido com a lata dosagem de cobre, que reduziu o nível de colesterol em aproximadamente 30%. Já com o selênio, a queda foi inferior a 10%.

Trabalhos semelhantes já haviam sido realizados com suínos e bovinos em outros países, mas o ineditismo do experimento de Del Claro (base de sua tese de doutorado) está no uso do selênio e no percentual elevado de redução do colesterol com cobre.

Foram utilizados, na pesquisa, bovinos da raça Brangus, cuja carne possui maior teor de gordura, seja em cobertura, seja entre as fibras musculares (marmoreio), o que lhe confere sabor e maciez. Orientado pelo professor Marcus Antônio Zanetti, o zootecnista experimentou aumentar a dosagem de cobre em quatro vezes e a de selênio dez vezes, em relação às exigências do Conselho nacional de Pesquisas dos Estados Unidos. Como essas dosagens estão próximas do nível de toxidade, havia preocupação de que elas se tornassem prejudiciais ao desempenho dos animais ou lhes afetasse a saúde. “Mas não houve problemas desse tipo, nos 131 dias de duração do estudo”, assegura Zanetti.

De qualquer modo, o professor recomenda que o uso da técnica seja supervisionada por um especialista em nutrição de ruminantes, principalmente se o pecuarista for tratar o gado por um período superior ao do estudo. O cobre atua na diminuição do pepitídeo glutationa reduzida (GSH) no fígado do bovino. Esse pepitídeo participa na síntese do colesterol. O mineral também age no aumento da glutationa oxidada (GSSG), que, por sua vez diminui a atividade da enzima HMG-CoA redutase, que é responsável pela síntese do colesterol em bovinos.

Melhor separados

O emprego associado do cobre e selênio, em altas dosagens, não surtiu o efeito desejado. Ou seja, se o objetivo da suplementação for reduzir o colesterol, deve-se usar os minerais separadamente, não por causa de uma eventual toxidade – que não houve – mas porque o resultado é inócuo. “Os dois minerais não são incompatíveis, apenas não atuam em sinergia na diminuição do colesterol. Ambos são essenciais à nutrição animal e cada um tem uma função no organismo, devendo ser oferecidos aos bovinos nas dosagens normais já recomendadas, pois nossas pastagens são deficientes nesses dois minerais”, observa Zanetti. Caso a intenção do produtor seja reduzir o colesterol, deve optar pelo cobre, pois ele garantiu melhor resultado do que o selênio. “Além disso, esse mineral é mais tóxico do que o cobre”, observa o professor.

Zanetti reconhece que, no momento, é complicado convencer o produtor a suplementar com a intenção de diminuir o colesterol da carne, porque ele não recebe mais por esse produto diferenciado, embora, para obtê-lo, tenha de fazer investimento ínfimo. “Aumentar em quatro vezes o nível de cobre na dieta, por exemplo, implica em acrescentar apenas um centavo de real por dia no custo de produção de um animal confinado para ter um produto de alta qualidade”, salienta. Ele não tem dúvida de que o mercado para a carne bovina com baixo colesterol não existe ainda por falta de oferta do produto. Zanetti lembra que o segmento de alimento com apelo saudável é o que mais cresce, especialmente nos países desenvolvidos e entre os consumidores de alta renda.
 
 
 
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