Quinta-feira, 9/9/2010
 
 
 
 
Controle e tecnologia para exportar mais
O consumo per capita de carne no Brasil em 2007 era de 40,62, atualmente está em 40,92. Um aumento de 0,75%, o que compreende uma média de 34 quilos por ano. A margem está abaixo dos americanos, que consomem 43 quilos, e acima do consumo dos europeus, na faixa dos 19 quilos – segundo projeções da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Esse aumento é uma tendência mundial que tem alcançado também a Ásia, especialmente Japão, China, Coréia do Sul e Vietnã. Em contrapartida, alguns mercados mais tradicionais como EUA e Canadá vêm registrando um consumo mais estável.

Para o analista da bovinocultura do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Otávio Celidonio, o mesmo deve acontecer por aqui.

De acordo com ele, diante da variação do preço da carne, a estimativa é de que o consumo ganhe certa estabilidade, mesmo que diversificado. A dinâmica é reflexo da elasticidade renda-demanda do produto, na qual as pessoas tendem a continuar investindo na melhoria da qualidade da alimentação com a elevação do salário.

Industrialização

Uma outra tendência observada no mercado da União Européia é o esforço para a venda de carne industrializada.

Para o jornalista Onofre Ribeiro, como qualquer efeito do mercado globalizado, o mais certo é que esta também seja a realidade da carne futuramente, uma vez que a produção vai estar cada vez mais focada pra atender o mercado externo, e esse produto cada vez mais caro.

Sanidade animal

O embargo europeu à carne bovina brasileira, de janeiro a maio de 2007, reduziu o volume de exportações de 1,15 milhão de toneladas para 920,68 mil, em relação ao mesmo período deste ano.

Apesar de haver uma crescente tendência de aumento de carnes no mundo, os impactos com os embargos nas exportações são uma realidade que os mercados mundiais devem se acostumar. Essa análise vem à tona a partir de um estudo de comparação dos sistemas de saúde animal e segurança dos alimentos realizado pelo Departamento do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Critérios rígidos

O estudo aponta que em cinco anos as exigências em relação à rastreabilidade e à saúde animal deixarão de ser uma opção para se tornarem condição fundamental para exportar.

Países como Japão, Reino Unido e União Européia, que já têm critérios rígidos em relação à importação de carne bovina, suína e de aves, estão se tornando ainda mais rigorosos em itens como procedência da carne e bem-estar animal.

A pesquisa mapeou e analisou os principais mercados produtores e consumidores de carne bovina, suína e de aves e os sistemas de saúde animal.

Concluiu que medidas como um sistema de rastreamento da carne mais eficiente, que leve em consideração as características regionais de criação de gado, por exemplo, serão imprescindíveis para que países como o Brasil continuem exportando.

Confinamento em alta

A tendência é que grandes compradores, como redes de restaurantes que não estão apenas de olho em questões como “doença da vaca louca” e febre aftosa, mas também no cumprimento de itens referentes ao bem-estar animal, tornem-se cada vez mais exigentes.

No entendimento de Onofre Ribeiro, o confinamento será a grande tendência do setor da produção. “O gado de ontem criado solto em pastagens extensivas não corresponde mais à realidade do mercado. Hoje o gado precisa, comer bem, ter qualidade de carcaça, níveis padronizados de gordura e carne macia. Tudo isso não requer grandes áreas e sim, tecnologia e valor agregado, o fator de peso daqui para a frente”, acrescentou o analista.
 
 
 
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