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| Primeiro pastejo na hora certa |
O hábito de esperar o capim sementear, para depois se introduzir o gado, compromete a qualidade da pastagem.
Um costume herdado do período colonial sobrevive com persistência guerreira no manejo das pastagens, apesar das recomendações em contrário. É o “primeiro pastejo tardio”, informa Armindo Kichel, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, para quem “Hábitos são como chicletes: custam a desgrudar”. Na visão de muitos pecuaristas, é preciso esperar o capim sementear antes de receber os animais pela primeira vez, pois assim se evita malformação da pastagem. O costume, passado de pai para filho ao longo de gerações, visa a compensar uma série de deficiências na implantação das gramíneas, como o emprego de sementes de baixa qualidade ou em volume insatisfatório, falta de adubação o controle inadequado de invasoras etc.
“Até pouco tempo atrás, utilizam-se sementes próprias, recolhidas manualmente do chão, para formar um pasto. Ou seja, havia grandes chances de algo dar errado. Agora, o que se espera do produtor é que ele trate o pasto como cultura e utilize tecnologia adequada; portanto, não há necessidade de se esperar o capim sementear. Pasto sementeado é como churrasco queimado, perde qualidade”, brinca Kichel. Segundo ele, essa prática antieconômica deve ser abandonada, pois resulta em fornecimento de forragem de baixo valor nutritivo e atraso na utilização do pasto. “Em condições normais, as gramíneas somente devem chegar ao estágio de florescimento se o objetivo for á produção de sementes para venda ou multiplicação”, diz Kichel.
Manejo correto – O ideal, é iniciar o primeiro pastejo cerca de 45 a 75 dias após a germinação do capim, antes do inicio da inflorescência. Cada gramínea tem um ciclo vegetativo próprio e responde com maior ou menor velocidade de crescimento as variações climáticas e aos diferentes tipos de solo. “Quando falo em 45-75 dias, já estou considerando essas diferenças”, explica o pesquisador da Embrapa. Para ter maior segurança quanto ao ponto ideal do primeiro pastejo, o produtor pode guiar-se pela altura do capim. No caso do mombaça, recomenda-se introduzir os animais na área quando a pastagem atingir 80-90 cm de altura; no Tanzânia, 70 - 80; no xaraés, 60; no marandu, 40-55; no braquiaria decumbens, 45; no andropogon, 70 e no humidicula, 35.
A observação da fenologia da planta também ajuda. Quando as primeiras folhas emitidas pela gramínea (aquelas que ficam na base da touceira) começam a amarelar é porque ela está se preparando para passar da fase vegetativa para a reprodutiva. Suas hastes tornam-se alongadas, e surgem as primeiras panículas. Prestando atenção nesses sinais e medindo a altura do capim, o produtor pode identificar, com relativa facilidade, qual o momento certo de introduzir o gado no pasto recém-formado.
Alta lotação – Kichel recomenda ainda trabalhar com altas lotações no primeiro pastejo, por curto período de tempo (5 a 15 dias), utilizando-se animais jovens (bezerros de recria), que, por serem leves, danificam menos pasto. Esse tipo de manejo permite rápido consumo de forragem e eliminação de boa parte das gemas apicais, o que reduz a produção de sementes. Para saber quantos animais introduzir na área, basta calcular a massa forrrageira disponível.
“Por exemplo: se tenho 6 toneladas de massa seca (MS) por hectare e determino como ideal um resíduo de 3 toneladas pós-pastejo, sobram 3 toneladas para consumo dos animais. Considerando – se que cada garrote de recria ingere 8 Kg de MS/dia, esse volume é suficiente para alimentar 25 cabeças por 15 dias”, explica o pesquisador.
Há uma boa razão para se fazer o primeio pastejo com alta lotação, por curto período de tempo. Lotes grandes funcionam como “roçadeiras biológicas”. Devido a competição intensa por alimento, os animais não selecionam as plantas e passam a cortá-las de maneira uniforme, evitando – se seu entouceiramento. “O segredo do bom manejo de formação (primeio pastejo) é justamente esse: fazer os garrotes comerem muito, em poucos dias, explica Kichel. Depois qu a gramínea é rebaixada até o limite considerado ideal (por exemplo, 30-40 em para o mombaça; 20 em para o marandu), o lote deve ser retirado e a área mantida em descanso por 20-25 dias, para que as plantas rebrotem e recompanham suas reservas. Transcorrido esse prazo, o prazo, o pasto pode ser liberado para uso normal, seja em pastejo rotacionado, seja em continuo.
O que se ganha – Além da uniformização do dossel forrageiro, o primeiro pastejo antes o florescimento ainda evita o acamamento, responsável por perdas significativas de forragem, pois o capim verga e é pisoteado pelo gado. Outra vantagem é a eliminação do excesso de plantas nos locais onde houve concentração indesejável de sementes. Os próprios animais arrancam as plantas mais fracas, que são pouco produtivas e competem por nutrientes com as demais. Feito em época certa, o primeiro pastejo estimula a emissão de novos perfilhos basais, raízes e folhas, aumentando o vigor das plantas. A gramínea cobre mais o solo e impede que as ervas daninhas se disseminem pela área.
Em resumo, o bom manejo de formação é fundamental para a longevidade da pastagem e preservação do meio ambiente. Quando cobre totalmente o solo, o capim funciona como uma espécie de capa protetora, que minimiza a compactação provocada pelas patas dos animais e reduz a ação das chuvas e dos ventos, principais causadores de erosão. Com isso, o solo retém mais água, as gramíneas aproveitam melhor os nutrientes, produzem mais forragem, depositam mais matéria orgânica no solo e favorecem o desenvolvimento de sua microbiota. Devido a baixa incidência de invasoras, o produtor usa menos herbicidas, que soa caros e contaminantes. “Enfim, uma pastagem bem implantada e bem manejada é sinônimo de maio produção de carne por hectare e de pecuária sustentável”, alerta Kichel.
Exceções a regra
Existem algumas situações em que o manejo deve ser diferente da regra estipulada por Kichel. Quando as gramíneas são implantadas, por exemplo, no final das águas (pastagens de safrinha), não devem ser submetidas ao “pastejo de formação”, pois a maioria das forrageiras tropicais perenes, nessas condições, não produz sementes, o certo é deixá-las em repouso para acumular a massa e serem utilizadas na próxima estação das águas (meados de outubro). Já se houver erro na implantação da gramínea ou ocorrência de clima adverso, sem tempo para replantio, é melhor deixar a pastagem sementear para minimizar o problema.
Nas regiões de clima seco, onde as gramíneas morrem por falta de água (semi-árido) também convém deixá-las florescer, pois a sobrevivência dessas pastagens depende da manutenção de um rico banco de sementes no solo. Em contrapartida, pastos consorciados de gramíneas com leguminosas – braquiarão e estilosantes campo grande, por exemplo – devem ser submetidos ao primeiro pastejo precocemente (10 a 15 dias após a germinação), pois esse manejo permite frear o crescimento do capim e garantir as leguminosas, que crescem mais lentamente, tempo suficientes para se estabelecer na área.
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| O Governo cumpriu as promessas referentes à Reforma Agrária? |
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