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| Mudança de clima pede atenção com alimentação do rebanho |
Chegada dos meses frios do ano indica que o pecuarista deve dispensar uma atenção ainda maior para as necessidades nutricionais do rebanho. Essa é a época em que as condições climáticas podem limitar o desenvolvimento das plantas forrageira, tornando a alimentação do gado escassa e de baixa qualidade. Mais uma vez, entra em campo o trabalho do produtor para alcançar um melhor rendimento da pastagem cultivada e minimizar os riscos de perda de rentabilidade entre os animais.
Para iniciar o planejamento da área que será cultivada, é essencial definir a necessidade de matéria seca que será consumida pelos animais, assim como prestar atenção á fertilidade do solo, adotando a adubação quando for preciso. Utilizar apenas sementes certificadas também é um passo importante para garantir um bom rendimento da pastagem, orienta o zootecnista Fábio Schlick, assistente técnico regional da Emater em Bagé/RS. “Mesmo que uma semente de qualidade represente um custo mais alto, o investimento vale a pena’, acrescenta. O especial lembra que este ano as sementes de aveia e azevém, plantas que são o carro-chefe da estação fria nos estados da Região Sul, tiveram aumento de preços, resultado de uma queda na produção desses insumos e do aumento da área cultivada com pastagens, Schlick recomenda o consórcio entre aveia preta e azevém, já que a aveia é mais precoce e pode ser consumida no outono e no começo do inverno, enquanto o azevém estará pronto para o uso ao longo do inverno e no inicio da primavera.
O técnico da Emater aconselha os produtores a fazerem o plantio escalonado para um maior aproveitamento das plantas principalmente em casos de ocorrências climáticas desfavoráveis. Outro ponto fundamental é esperar o completo desenvolvimento da planta para depois permitir o pastoreio do gado. “A entrada antecipada dos animais no campo encurta a vida útil do pasto e afeta o ganho de peso e a produção de leite entre o rebanho”, conclui o zootecnista. A aveia preta, por exemplo, leva cerca de 60 dias para atingir uma altura em torno de 30 centimetros, o ideal para o inicio do pastejo. “O manejo correto também deve levar em conta o residual que fica na terra e que permite o rebrote da gramínea no momento certo para o segundo pastoreio”, declara.
Quando bem manejado, o pasto de inverno pode resultar e um ganho de peso acima de 1 quilo por dia por animal ou uma produção de leite entre 12 e 15 litros diários. Em um sistema assim, associado a boas condições sanitárias, a taxa de lotação pode alcançar cerca de 1 mil quilos por hectare de peso vivo, ou duas UA (Unidade Animal = 450 quilos) por hectare.
Para auxiliar no desenvolvimento das espécies cultivadas no inverno, o engenheiro agrônomo Valdinei Tadeu Paulino, pesquisador do Instituto de Zootecnia (IZ) da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, sugere a técnica do plantio direto. “Com a adoação do sistema não há necessidade de revolvimento do solo para preparo da semeadura, o que colabora para a conservação e melhoria das características físicas, químicas e biológicas da terra. A prática também atua na prevenção da erosão aumentando a capacidade de armazenamento de água no solo’, detalha. Paulinho ainda cita que quando se compara o custo de formação de pastagem pelo plantio convencional, incluindo etapas de aração, calagem, adubação, mão de obra e insumos, o valor agregado é maior em comparação com a formação de pastagem no plantio direto.
Nesse sistema produtivo, a espécie mais cultivada na cobertura de inverno é a aveia preta, antecedendo aos cultivos de milho e soja. “No entanto, quando o milho é cultivado em sucessão com a aveia preta, geralmente ocorre redução na absorção de nitrogênio e no rendimento do grão’, ressalva Paulino. Nesse caso, uma alternativa interessante é a consorciação de espécies que antecede o cultivo do milho. “O uso de consórcio entre aveia preta e ervilhaca comum, por exemplo, diminui a necessidade de investir em adubação nitrogenada em cobertura do milho em sucessão, sem reduzir o rendimento de matéria seca total da cobertura de solo em relação ao cultivo isolado de aveia preta’, completa o especialista. Isso acontece porque, enquanto as leguminosas adicionam nitrogênio ao sistema, as gramíneas apenas reciclam o nitrogênio já existente, podendo levar ao esgotamento do nutriente no solo.
PESQUISA busca evolução
Oferecer ao produtor materiais mais resistentes e que tenham seu ciclo de produção alongado são alguns dos objetivos dos pesquisadores envolvidos com pastagens. “A evolução dos sistemas produtivos, como é o caso da integração lavoura-pecuária, nos trouxe novas demandas. Uma área que antes ficava parada na propriedade, hoje é usada pelo agropecuarista para a engorda do rebanho e, posteriormente, para o plantio de grãos no verão”, assinala o veterinário José Lino Martinez, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Entre as variedades disponibilizadas pelo Iapar, a aveia branca IPR 126 é um dos destaques por suportar bem o pisoteio dos animais e por ter um ciclo longo. “A maior oferta de forragem na estação fria significa que o produtor vai gastar mnos com ração ou silagem”, conclui Martinez. Já a aveia preta Iapar 61 Ibiporã é indicada pela elevada produção de matéria seca e pela baixa decomposição da palhada, o que reduz a população de plantas daninhas. “É uma ótima alternativa para a rotação com culturas de verão e no sistema de plantio direto”, considera o veterinário.
Por meio do Programa de Melhoramento do Azevém, a Embrapa, em conjunto com universidades, lançou em 2007 a cultivar BRS Ponteio. Desde o ano passado, a variedade está disponível aos produtores de sementes e agora, em 2009, pode ser adquirida pelos pecuaristas. Testada durante três anos no Rio Grande do Sul e no Paraná, a cultivar tem ciclo mais logo e melhor proporção folha/colmo.
“Ao mesmo tempo em que o azevém é uma espécie de grande importância para a Região Sul, há carência de sementes com origem genética e comportamento conhecido”, justifica o engenheiro agrônomo José Carlos Leite Reis, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, com sede em Pelotas/RS. Segundo ele, a instituição está investindo de forma constante para lançar novos produtos de azarem nos próximos anos.
Para a estação fria, Reis recomenda, quando possível, a consorciação de gramíneas como aveia ou azevém com leguminosas para incrementar a qualidade e a produtividade da pastagem e para esticar o ciclo produtivo. “São plantas que contribuem para a melhoria do solo e para fixação de nitrogênio atmosférico por seus nódulos nas raízes”, salienta o engenheiro agrônomo. Ele cita como uma opção interessante o trevo vesiculoso Embrapa 28 – Santa Tecla. A cultivar apresenta boa ressemeadura natural, alta germinação com temperaturas baixas, grande resistência a pragas e doenças e reduzida taxa de timpanismo.
Mesmo que o custo da consorciação seja um pouco maior devido ao gasto com a aquisição de sementes de leguminosas, o produtor terá um rápido retorno com o incremento de minerais e vitaminas na dieta animal e, conseqüentemente, no ganho de peso entre o rebanho. Com o nitrogênio oferecido por essas plantas, o pecuarista também vai economizar na compra de fertilizantes.
Há casos, no entanto, em que não é aconselhável. “A alfafa, uma leguminosa de alta qualidade, é um exemplo dessa afirmação. É uma forrageira nobre, usada principalmente de maneira intensiva, em pequenas áreas, em pastejo rotativo e para a produção de feno. Ela requer adubação e manejo especiais. Sua consorciação com gramíneas dificulta o manejo do alfafal, ocorre competição pelas gramíneas que podem dominar a alfafa e reduzir sua longevidade, diminuindo a qualidade e digestibilidade da forragem”, explica o especialista.
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| O Governo cumpriu as promessas referentes à Reforma Agrária? |
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